Síndrome do filhote nadador: o que é e como tratar?

Texto por M.V. Esp. Gabriela Duarte

Editado por M.V. Ma. Esp. Mhayara Reusing

O que é essa síndrome?

Primeiramente, síndrome é quando se tem um conjunto de sinais clínicos ou sintomas que pode ser ocasionada por mais de uma causa, o que significa que síndrome não é uma doença e sim uma condição que se origina de uma doença (Iwakura; Amorim; Caramalac; Terra; Palumbo, 2017).

A síndrome do filhote nadador, tem nomenclaturas variadas como síndrome do cachorro plano, síndrome do filhote nadador, splay leg ou hipoplasia miofibrilar, pode ser vista tanto em caninos como felinos e é resultante de uma deformação do sistema nervoso que comanda o desenvolvimento motor. Esta promove dificuldade de locomoção ou em alguns casos ocasionar a perda dos movimentos (HummeL; Vicente; Lima; Pestana; Fuhr, 2020).

Os relatos revelam que a síndrome se apresenta antes dos três meses de vida, que é quando os filhotes começam a andar e pode atingir qualquer raça ou gênero. As raças mais predispostas são as condrodistróficas de raças pequenas (Costa, 2020). Em felinos é mais raro de ocorrer, porém existem alguns relatos na literatura (Iwakura; Amorim; Caramalac; Terra; Palumbo, 2017).

Sinais clínicos:

Alguns outros sinais clínicos além da dificuldade de deambulação podem aparecer como por exemplo:

  • Fraqueza muscular;
  • Ataxia e incoordenação motora;
  • Hiperextensão de membros;
  • Feridas por arrastamento;
  • Dispneia (dificuldade respiratória)
  • Perda de peso, por não conseguirem se alimentar.

A síndrome do cão nadador afeta membros torácicos e pélvicos, porém o mais comum é nos pélvicos. O prognóstico é de bom a reservado quando afetado os membros pélvicos e mais reservado quando atinge os quatro membros. (HummeL; Vicente; Lima; Pestana; Fuhr, 2020).

O que causa essa síndrome?

Alguns fatores podem estar associados a esta síndrome como:

  • defeito congênito, desenvolvido durante a gestação;
  • hereditário, passado dos pais para o filhote;
  • ambiental, piso liso e falta de estímulo locomotor;
  • nutricional, deficiência alimentar.

(Micheletti, 2009).

Diagnóstico:

O diagnóstico é realizado pela anamnese adequada através da palpação, ausculta pulmonar e cardíaca, verificação dos sinais clínicos com o posicionamento dos membros pélvicos e torácicos, além de observar a movimentação do filhote (Micheletti, 2009).

Além disso a solicitação do exame radiográfico é de extrema importância, nele devemos observar se o esterno se apresenta achatado e os membros abertos. Na ausculta podemos ouvir sopro cardíaco, ruídos pulmonares e dispneia (Micheletti, 2009 e Neto, 2013/2).

                          

                     Fonte: Micheletti, 2009.

                   

                    Fonte: Neto, 2013/2.

 

Tratamento:

Fisioterapêutico

O tratamento de eleição é a fisioterapia e deve-se começar o mais rápido possível para que o paciente não apresente sequelas e sua melhora seja total.

O indicado são sessões diárias de exercícios para aumentar sua força e tônus muscular, ajudar no equilíbrio e coordenação motora. Estímulos elétricos com eletroterapia também são utilizados além da hidroterapia (Neto, 2013/2).

 Bandagens

Bandagens para reposicionamento dos membros é muito recomendado devido aos ossos e articulações ainda estarem em crescimento e serem maleáveis tornando assim o processo de recuperação mais eficiente. As bandagens são feitas com esparadrapos e presas aos membros em forma de algemas para aproximar o membro e manter o filhote em posição anatômica. As bandagens devem ser trocadas regularmente conforme o filhote for crescendo para acompanhar o amadurecimento muscular e ósseo (Neto, 2013/2 e HummeL; Vicente; Lima; Pestana; Fuhr, 2020). Atualmente, existem órteses próprias para poder ajudar na sustentação dos membros.

Informe-se com a VetÓrteses! (41) 3039-0216 ou (41) 99758-7554.

    

     Fonte: Revista Vet and Share,2020.   Fonte: Internet.

 

Suplementação

Suplementos nutricionais também podem ser utilizados como coadjuvantes como selênio, vitamina E e taurina. Alimentação correta com uma ração super premium ajudam na reabilitação desses filhotes. (Lima; Rocha; Neto, 2013).

Outros

Controle de peso também prejudica a recuperação desses filhotes, o sobrepeso provoca sobrecarga articular e impede o paciente de firmar os membros.

Enriquecimento ambiental também pode auxiliar na hora do tratamento, pisos antiderrapantes, tapetes e até meias com solo aderente podem ser usadas (Lima; Rocha; Neto, 2013).

Conclusão

Conclui se que a eficácia do diagnóstico e o tratamento realizado de forma rápida e correta, além da dedicação do médico veterinário e do tutor é de extrema importância para a recuperação do filhote nadador diminuído assim as sequelas que podem ser apresentadas.

 

Referências:

HUMMEL, J., VICENTE, L.G.T., LIMA, D.P., PESTANA, N., FUHR, M. Síndrome do filhote nadador: A FISIOTERAPIA COMO ABORDAGEM TERAPÊUTICA. Revista Vet and Share, Outubro 2020.

IWAKURA, E.M, AMORIM, T.R,, CARAMALAC, S.M, TERRA, V.J.B, PALUMBO, M.I.P. Síndrome do filhote nadador em gato, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017.

LIMA, D.B.C., ROCHA NETO, H.J. e KLEIN, R.P. Utilização de fisioterapia na síndrome do filhote nadador em felino doméstico. PUBVET, Londrina, V. 7, N. 20, Ed. 243, Art. 1605, outubro, 2013.

MICHELETTI, L. Síndrome do cão nadador- relato de caso. Centro Universitário FMU, São Paulo, 2009.

NETO, A.E.H. Síndrome do cão nadador e sua relação com a fisioterapia- revisão bibliográfica e relato de caso. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013/2.