Curitiba, 25 de junho de 2020.

Texto por M.V. Esp. Selene Cirio Leite

Acupuntura em em cães e gatos internados, já ouviu falar?

Há alguns dias, escrevemos aqui no blog a respeito da importância da utilização da fisioterapia nos pacientes internados. Mas e a acupuntura? O que você sabe a respeito? Dentre todos os seus benefícios… Será que também pode ajudar nossos pets em internamento hospitalar? O que a acupuntura pode fazer por eles nesse momento tão delicado?

                Primeiro, vamos relembrar um pouco o que é esta técnica: a acupuntura é oriunda da Medicina Tradicional Chinesa, e pode ser utilizada tanto para a prevenção quanto para o tratamento de diversas patologias. Com um histórico de quase 3000 anos a. C., consiste na harmonização do organismo através da estimulação de pontos específicos do corpo, sendo a mais conhecida realizada por meio da aplicação de agulhas. Possui objetivo analgésico e terapêutico, podendo atuar inclusive no campo emocional do paciente; não causa dor e é segura. Atualmente, vem ganhando muito espaço na Medicina Veterinária, ao ser realizada sozinha ou em conjunto com outras técnicas de Medicina Integrativa visando proporcionar qualidade de vida aos nossos animais. Diante disso, podemos citar diversos benefícios para utilização desta terapia: alívio da dor crônica, liberação de endorfinas, estimulação do sistema imunológico, regulação da pressão sanguínea, equilíbrio da produção hormonal e do metabolismo, sensação de bem-estar, retardo do processo degenerativo de ossos e articulações, redução da dose/frequência/quantidade de medicações…

          E quanto aos pacientes que estão sob cuidados intensivos? Como ela pode ser útil?

          Como pacientes internados muitas vezes estão submetidos a condições delicadas, a acupuntura pode atuar em diversas situações:

  1. Controle da dor aguda/crônica: redução de quantidade de fármacos, dose e frequência de administração dos mesmos (Garcez et al., 2011; Martins e Silvério-Lopes, 2013)
  2. Melhora do apetite/ingestão de água: controle de enjoos, náuseas, vômitos, diarreias (Scallan et al., 2016)
  3. Controle de urina e fezes: especialmente em quadros de incontinência ou retenção urinária/fecal (Figueiredo et al., 2018)
  4. Coadjuvante no tratamento/controle de quadros neurológicos: paralisias e convulsões (Roynard et al., 2018)
  5. Reabilitação pós-traumática ou pós-cirúrgica
  6. Estimulação do sistema imune: auxílio na recuperação do organismo, especialmente nos quadros de doenças debilitantes (Bierman e Thompson, 2001)
  7. Coadjuvante nos tratamentos onde se faz necessária a cicatrização de feridas (Beheregaray et al., 2014)
  8. Auxiliar em situações onde a anestesia se faz necessária, reduzindo doses de fármacos quando aplicados em pontos específicos (Klide, A. M. e GAYNOR, J. S., 2006)
  9. Estabilização de enzimas hepáticas e renais, bem como melhora nos quadros de alterações hematológicas
  10. Melhora do quadro emocional: redução do estresse, proporcionando relaxamento,  regularização do sono e pressão arterial, bem como para transtornos de comportamento (Maccariello et al., 2018)
  11. Alternativa viável para evitar a eutanásia dos animais em que a dor e o esforço para caminhar se tornam exacerbados e em que cirurgias e/ou medicações apropriadas não conseguem resolver efetivamente.

          Além disso, por ser uma técnica que não exige muito espaço e/ou equipamentos muito elaborados, pode ser facilmente realizada dentro das próprias recintos dos internamentos, desde que por um profissional habilitado para tal.  Os resultados são muito satisfatórios, podendo acelerar inclusive o processo de alta clínica.

É muito importante lembrar que a acupuntura trata o indivíduo, e não a doença, harmonizando o organismo como um todo. Por isso, as técnicas e o número de sessões, bem como a resposta de cada paciente devem ser avaliados minuciosamente, podendo variar de acordo com idade, tipo de patologia, grau de comprometimento da doença e outras condições específicas.

Editado por M.V. Ma. Esp. Mhayara Reusing

REFERÊNCIAS

BIERMAN, N.; THOMPSON, C.; Acupuncture for Immunologic Disorders in veterinary acupuncture, Panciente Art to Modern Medicine. Saint Luis: Mosby, 2001. 269-280 p.

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GARCEZ, et al. Bases anatômicas e neurofisiológicas da analgesia por acupuntura. Medvep – Revista Científica de Medicina Veterinária, Curitiba, v. 9, n. 28, p. 40-44. Jan/mar 2011

KLIDE, A. M. e GAYNOR, J. S. Acupuntura para Analgesias cirúrgica e pós-operatória. In: SCHOEN, A. M. (Ed.). Acupuntura Veterinária: da arte antiga à Medicina moderna. 2 ed. São Paulo: Roca. 2006. P. 289-295.

KRÜGER BEHEREGARAY, W.; CABRAL GIANOTTI, G.; DE SOUZA LEAL, J.; GARCEZ, T.; CONTESINI, E. A. Eletroestimulação na cicatrização de feridas cutâneas experimentais em coelhos Ciência Rural, vol. 44, núm. 5, maio, 2014, pp. 878-883 Universidade Federal de Santa Maria Santa Maria, Brasil

MACCARIELLO, C.E.M.; FRANZINI DE SOUZA, C.C.; MORENA, L.; DIAS, D.P.M.; MEDEIROS, M. A. Effects of acupuncture on the heart rate variability, cortisol levels and behavioural response induced by thunder sound in beagles. Physiol Behav. 2018;186:37-44. doi:10.1016/j.physbeh.2018.01.006

MARTINS, M.; SILVÉRIO LOPES, S. Tratamento de Artralgias (Síndrome Bi) com Acupuntura em Medicina Veterinária. Rev. Bras. Terap. e Saúde. 3(2):1-6, 2013

ROYNARD, P.; FRANK, L.; XIE, H.; FOWLER, M. Acupuncture for Small Animal Neurologic Disorders. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 2018;48(1):201-219. doi:10.1016/j.cvsm.2017.08.003

SCALLAN, E. M.; SIMON, B. T. The effects of acupuncture point Pericardium 6 on hydromorphone-induced nausea and vomiting in healthy dogs. Vet Anaesth Analg. 2016;43(5):495-501. doi:10.1111/vaa.12347