Curitiba, 07 de novembro de 2019.

Texto por M.V. Esp. Ludmylla Silva / Edição: M.V. Ma. Mhayara Reusing.

Meu pet gosta de música? Você já parou para se perguntar sobre isso? Será que eles prestam atenção? Será que eles se acalmam, ou se irritam?

Muitos estudos em humanos e animais mostram o quanto a musicoterapia está ajudando com alívio de dores, aumento da sensação de bem-estar, diminuição da fadiga e ansiedade, entre outros. Estudos com crianças, recém-nascidos e idosos manifestaram mudanças fisiológicas e comportamentais reduzindo frequência cardíaca, cortisol e melhora do humor. E na medicina veterinária esses efeitos começaram a serem avaliados recentemente em estudos em todo o mundo.

A música age reforçando o efeito positivo, enriquecendo o ambiente e diminuindo os níveis de estresse dos animais durante o manejo.

Em humanos, Menon e Levitin (2005) constataram que ouvir música clássica ou melodias agradáveis estão ligados com produção de dopamina (neurotransmissor responsável pelo humor e prazer).

Atualmente o aprofundamento da terapia musical na medicina veterinária tem sido mais discutido. O tipo de música utilizado na terapia deve ser escolhida criteriosamente, pois a escolha errada, pode interferir negativamente no tratamento.

Em cães, a música clássica aumenta o tempo de sono e tranquilidade sobre comportamentos estereotipados como vocalização, lambedura psicogênica e tremores, enquanto a músicas mais pesadas provocaram maior ocorrência de tremores, um sinal característico de nervosismo e ansiedade.

Em 2015, Bowman  et al., realizaram estudo em um centro de resgate de cães, onde os animais  foram expostos a música clássica, e notou-se que os indivíduos não latiam, o ambiente se tornou bem tranquilo, e passavam a maior parte do tempo dormindo bem relaxados, sugerindo eficiência na técnica de enriquecimento ambiental.

Fonte: Google Imagens. Disponível em: https://images.app.goo.gl/txNBGqCVx8M86A3PA em 06/11/19.

O piano, por exemplo, tem sonoridade leve principalmente por Mozart, que tem apoio harmônico e poucos acordes, dando uma sonoridade agradável e harmônica aos ouvidos.

Em humanos, a musicoterapia auxilia pacientes com câncer no tratamento da depressão. Esse esquema abaixo é um modelo conceitual geral para os potenciais impactos terapêuticos de intervenções baseadas em música.

 

Fonte: modificado de ARCHIE et al., 2013, apud SAMPAIO 2015.

Aqui no Instituto de Reabilitação Animal, colocamos músicas instrumentais suaves para os nossos pacientes, que se acalmam e relaxam bastante. Ainda, há os que gostam de uma música específica somente, e só se acalmam ouvindo sua música favorita durante a sessão de fisioterapia e acupuntura… Fazemos com muito amor a playlist para trazer o maior conforto aos nossos pacientes!

A musicoterapia pode ser utilizada para obtenção de efeitos benéficos na recuperação da saúde dos humanos e dos animais. Então, sempre que possível, ouça uma boa música clássica com seu pet, músicas que acalmem quando estiverem juntos. Uma dica também para o fim do ano: músicas clássicas podem ajudar a acalmar durante os fogos de artifício. Aproveitem e se deliciem nas melodias e harmonias musicais!

Fontes:

ARCHIE, Patrick; BRUERA, Eduardo; COHEN, Lorenzo. Music-based interventions in palliative cancer care: a review of quantitative studies and neurobiological literature. Supportive Care in Cancer, v. 21, n. 9, p. 2609-2624, 2013.

MENON, Vinod; LEVITIN, Daniel J. The rewards of music listening: response and physiological connectivity of the mesolimbic system. Neuroimage, v. 28, n. 1, p. 175-184, 2005.

Revista mv&z, 2016. Texto: A música e seus diversos impactos sobre a saúde e bem-estar dos animais.

SAMPAIO, W. C. M. Dissertação de mestrado: Influência da musicoterapia no comportamento de animais em desenvolvimento, 2015.