Curitiba, 05 de julho de 2020.

Texto por Camila Almeida e Mhayara Reusing

Gatos podem não expressar sinais tão claros de que estão com dor, por isso, abordamos esse assunto no blog hoje, especialmente aos amantes de gatos, contando com a visão de uma tutora super apaixonada por eles: Camila Almeida, secretária do Instituto de Reabilitação Animal, e a M.V. Ma. Esp. Mhayara Reusing.

Representantes da família felina Almeida – Fotos: Camila Almeida

Fatores relacionados à dor e sua manifestação comportamental em felinos geralmente pode não ser facilmente identificados pelos tutores, que muitas vezes podem não perceber ou demorar para notar desconfortos agudos em gatos.

   Em geral, gatos são extremamente brincalhões, e adoram seus arranhadores, brinquedos divertidos, ou simples novidades como bolinhas de papel ou novelos de lã, e bichinhos vivos que resolvam cruzar seu campo de visão… mas também adoram a sua privacidade em seus cantinhos, esconderijos e lugares preferidos estratégicos em casa.

   Porém, quando alguns comportamentos se tornam mais tendenciosos que o normal podem significar que algo está acontecendo. É importante ficarmos alertas para não subestimar esses comportamentos, pois alguns podem ser sinais de dor! Listamos abaixo como podemos identificar sinais gerais indicativos de dor de diversas origens:

1. Esconder-se mais que o habitual:
     A tendência deles a se esconder dependendo de como e por quanto tempo, pode ser preocupante. Eles podem estar sentindo algum desconforto, e por isso, evitando a interação com outros animais ou pessoas, procurando se isolar. Por isso, devemos estar atentos aos comportamentos habituais de cada felino.
2. Prostração:
   Outro fator um tanto curioso é a relutância em se movimentar. Gatos são curiosos e sempre estão em movimento no seu habitat. Então, se o  seu bichano não conseguiu dar aquela espreguiçada hoje ao se levantar, ou está andando com a coluna curvada, ou ficando muito tempo deitado, isso pode ser sinal de dor, podendo ser articular, coluna ou abdominal.
3. Falta de apetite:
   Outro fator importante de ser notado é a falta interesse pelo alimento que está acostumado, diminuindo a quantidade ingerida, ou preferindo apenas alimentos mais palatáveis como sachês especiais. Se seu felino começou a comer menos, isso também pode ser um sinal de dor. Sabemos que o paladar dos nossos gatos é muito exigente por isso temos que estar sempre atentos se estão comendo a quantidade certa todos os dias. Gatos tendem a se alimentar menos quando tem dor ou desconforto.
4. Miados excessivos:
   Miados excessivos são normais no período do acasalamento. Porém, nas demais ocasiões, a vocalização excessiva geralmente produzida com miados altos e constantes, seguidas de inquietação não achando posição de conforto, podem significar um alerta de dor e desconforto. É importante ficarmos atentos às mudanças comportamentais, pois às vezes, alguns gatos miam de felicidade e euforia quando vão ganhar comida. Porém, se os miados vierem em momentos incomuns, sem nenhum evento associado, pode indicar dor.
5. Alterações de comportamento:
   Por fim, qualquer alteração no padrão de comportamento deve ser considerada, pois os gatos são muito discretos e, tanto a hipoatividade em gatos habitualmente ativos ou a hiperatividade em gatos em geral mais tranquilos podem indicar desconforto e dor.
  Em todas as ocasiões recomenda-se a avaliação pelo médico veterinário responsável pelos seus gatinhos. O tratamento dependerá da origem da dor ou desconforto. Um estudo demonstrou que os tutores de gatos são capazes de identificar a dor crônica de origem articular em felinos através dessas alterações de comportamento, bem como identificar melhora comportamental após o tratamento adequado com analgésicos (Gruen et al., 2014).
   Outro estudo mostrou 23 sinais envolvidos em gatos com dor relacionada ao sistema locomotor, sendo eles (Merola et al., 2016):
  1. Claudicação (mancar)
  2. Dificuldade para pular
  3. Marcha anormal (alteração locomotora)
  4. Relutância em se mover
  5. Reação à palpação da região afetadas
  6. Esconder-se em demasia
  7. Não se higienizar
  8. Diminuição ou não ronronar com carinho
  9. Brincar menos
  10. Diminuição do apetite
  11. Diminuição das atividades gerais
  12. Se esfregar menos nas pessoas
  13. Mudança de humor (mais agressivo, irritado)
  14. Mudança de temperamento (quando o humor se altera e se torna um estado permanente)
  15. Postura curvada (cifose)
  16. Alteração no peso corporal
  17. Lambedura em regiões específicas
  18. Postura cabisbaixa
  19. Blefaroespasmo (contrações involuntárias das pálpebras)
  20. Mudanças nos padrões alimentares
  21. Evitam pisos lisos
  22. Ganir ou gemer
  23. Olhos fechados constantemente

No Instituto de Reabilitação Animal, realizamos a avaliação ortopédica e comportamental para detecção da dor em gatos (Enomoto et al., 2020), e  oferecemos métodos analgésicos para coluna e articulações através de terapias físicas na fisioterapia (Sharp, 2012; Mantovani, 2010; Morales-Vallecilla et al., 2019) e energéticas com a acupuntura, que, além de dores articulares, inclusive ajuda no controle da dor de origem visceral (Figueiredo et al., 2018; Lee et al., 2019; Nascimento et al., 2019, Shmalberg, 2019).

Eletroacupuntura pós caudectomia em gato. Foto: Instituto de Reabilitação Animal. Atendimento: Dra. Selene Leite, médica veterinária acupunturista.

Eletroterapia para alívio da dor (TENS). Foto: Instituto de Reabilitação Animal. Atendimento: Dra. Gabriela Cupka, médica veterinária fisiatra.

Magnetoterapia para alívio da dor. Foto: Instituto de Reabilitação Animal. Atendimento: Dra. Mhayara Reusing, médica veterinária fisiatra.

Agende a consulta do seu felino conosco! Tire suas dúvidas, estamos à disposição para proporcionar conforto e bem estar ao seu felino em nossa sala especial para gatos!

 

REFERÊNCIAS
ENOMOTO, Masataka; LASCELLES, B. Duncan X.; GRUEN, Margaret E. Development of a checklist for the detection of degenerative joint disease-associated pain in cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, p. 1098612X20907424, 2020.
FIGUEIREDO, Nuno Emanuel Oliveira et al. RETROSPECTIVE STUDY OF 98 CATS SUBMITTED TO ACUPUNCTURE ATTENDED AT A REHABILITATION AND CHRONIC PAIN CONTROL SERVICE. Ciência Animal Brasileira, v. 19, 2018.
GRUEN, M. E. et al. Detection of clinically relevant pain relief in cats with degenerative joint disease associated pain. Journal of veterinary internal medicine, v. 28, n. 2, p. 346-350, 2014.
LEE, In-Seon; CHEON, Soyeon; PARK, Ji-Yeun. Central and peripheral mechanism of acupuncture analgesia on visceral pain: a systematic review. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2019, 2019.
MEROLA, Isabella; MILLS, Daniel S. Systematic review of the behavioural assessment of pain in cats. Journal of feline medicine and surgery, v. 18, n. 2, p. 60-76, 2016.
MANTOVANI, Plínio Ferreira et al. Laserterapia de baixa potência no tratamento da ruptura do ligamento cruzado cranial de gatos (Felis catus). 2010.
MORALES-VALLECILLA, Carlos et al. Survey of pain knowledge and analgesia in dogs and cats by colombian veterinarians. Veterinary Sciences, v. 6, n. 1, p. 6, 2019.
NASCIMENTO, Felipe F. et al. Analgesic efficacy of laser acupuncture and electroacupuncture in cats undergoing ovariohysterectomy. Journal of Veterinary Medical Science, p. 18-0744, 2019.
SHARP, Brian. Feline physiotherapy and rehabilitation: 1. principles and potential. Journal of feline medicine and surgery, v. 14, n. 9, p. 622-632, 2012.
SHMALBERG, Justin; XIE, Huisheng; MEMON, Mushtaq A. Canine and Feline Patients Referred Exclusively for Acupuncture and Herbs: A Two-Year Retrospective Analysis. Journal of acupuncture and meridian studies, v. 12, n. 5, p. 160-165, 2019.