Curitiba, 25 de maio de 2020.

Texto por M.V. Esp. Gabriela Duarte

Caros leitores,

Preparamos esse artigo especialmente para quem procura propiciar bem estar ao seu animalzinho, da forma mais natural possível. Por isso, o assunto hoje é aromaterapia! Confira!

Aromaterapia é a terapia/tratamento através de aromas (percebidos como cheiros através do olfato, um dos cinco sentidos, sendo o ais relevante para cães e gatos). Através das essências tiradas de plantas, frutas e até as produzidas em laboratório, aromas fornecem cura a determinadas enfermidades e bem estar. A aromaterapia vem sendo muito utilizada também por promover ações antissépticas, desintoxicantes e rejuvenescedoras nos humanos (Oliveira, R.K.B, 2019) e ajudar na proteção contra pragas (Aziza M. A. e Mohamed. M. A. 2020)

Fitoterápicos

Para podermos aprofundar no assunto, primeiramente precisamos saber quais as diferenças entre alguns termos comuns relacionados a aromaterapia. Vamos lá? Você sabe o que são fitoterápicos?

Segundo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na RDC nº 26/2014 “são considerados medicamentos fitoterápicos os obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e eficácia sejam baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela constância de sua qualidade…”, ou seja, fitoterápico é aquele medicamento produzido da extração de plantas de forma que não haja alteração sintética ou que inclua na sua formulação substâncias ativas isoladas ou altamente purificadas (ANVISA, 2014).

Vale ressaltar que os produtos tradicionais fitoterápicos são utilizados para doenças de baixa gravidade; não podem se referir a doenças, distúrbios, condições ou ações consideradas graves, não podem conter matérias-primas em concentração de risco tóxico conhecido e não devem ser administrados pelas vias injetável e oftálmica (ANVISA, 2014).

Os óleos essenciais e como é realizada sua extração:

Os óleos essenciais são substâncias líquidas voláteis utilizadas na aromaterapia. Mesmo sendo denominado como óleo, não possui aspecto oleoso e ao ser exposto ao ambiente, evapora. Para reduzir a volatilidade, utilizam-se óleos carreadores, estes por sua vez possuem a característica gordurosa que auxilia na função dos óleos essenciais. Os óleos carreadores são considerados condutores dos óleos essenciais, isto é, eles se misturam ao óleo essencial para que ao ser utilizado não evapore. Os óleos carreadores possuem origem vegetal, e os mais utilizados são:

  • Óleo de amêndoas;
  • Óleos de rícino;
  • Óleo de jojoba;
  • Óleo de calêndula;
  • Óleo de semente de uva;
  • Óleo de linhaça;
  • Óleo de soja.

A extração pode ser realizada de algumas formas: enfleurage, arraste por vapor da água, extração por solvente, prensagem, extração por dióxido de carbono.  A escolha do método de extração do óleo essencial na planta depende de fatores como: a quantidade de óleo, a localização do óleo e o composto que se deseja obter (SILVA, M.C. 2018).

Os principais óleos essenciais utilizados na aromaterapia são:

  • Alecrim – para memória e concentração;
  • Capim limão – auxilia na eliminação de pulgas, carrapatos e mosquitos;
  • Hortelã – para problemas gastrointestinais como diarreias e cólicas;
  • Hortelã-pimenta – para fortalecimento do sistema imunológico;
  • Lavanda – como calmante e auxilia na ansiedade.

A visão holística, ou seja, aquela que considera todas as opções e recursos terapêuticos para promover o tratamento, tem como fundamento observar o animal por um todo e não apenas a necessidade para a enfermidade específica. Começamos avaliando o bem estar do paciente, sua energia através de seu estado físico e mental e qual a possível origem da doença, isto é, todo o comportamento normal e anormal do paciente é observado e analisado para que o tratamento mais correto seja empregado, lembrando sempre que, a terapia holística não deve interferir nas terapias convencionais e que uma não substitui a outra.

Cuidados na utilização:

Assim como toda terapia, é necessário saber seus benefícios, indicações e contraindicações, ao realizar o tratamento com aromaterapia devemos nos atentar a certos cuidados.

O contato dos óleos em regiões de mucosas como olhos e genitais, e região de focinho por exemplo, devem ser evitadas. O contato com essas regiões pode promover reações alérgicas e sensação de queimação no animal, por serem áreas de absorção rápida. Caso isso ocorra é indicado que, com uma gaze estéril adicione uma gota de óleo vegetal (os óleos citados acima) nesta e deslize suavemente sob a região sem esfregar. Não é indicado lavar, água e óleo têm reações osmóticas distintas, ao lavar com água o óleo continuará sendo absorvido, quando usado o óleo vegetal o óleo essencial é dissolvido no mesmo auxiliando na eliminação dele, diminuindo a toxicidade. O indicado caso ocorra essa intoxicação* é encaminhar o paciente ao hospital veterinário mais próximo.*Alguns sinais são: vermelhidão, inchaço e coceira no local e náuseas podendo ou não ser seguida de vômito (MACHADO, F. 20212).

Como utilizar nos animais:

A utilização dos óleos essenciais em animais, sendo uma terapia, deve ser indicada e prescrita por médicos veterinários qualificados no assunto. Vários animais podem ser tratados com aromaterapia desde cães (Claudia, G. 2018), gatos (Tisserand,R.2011), cavalos (Pisa,J.P.N) e até mesmo animais selvagens mamíferos como grandes felinos e macacos (Ribeiro, M.L.2016)., entre outros. A dosagem e diluição dos óleos essenciais que variam de espécie para espécie. Por isso nunca utilize óleos essenciais sem um acompanhamento correto de um médico veterinário terapeuta qualificado.

Antes de aplicar no animal é muito importante observar a reação dele ao óleo. Isso é possível, aplicando gota na palma da sua mão e deixando o cheirar antes da aplicação. Se a reação for boa e ele não apresente espirros ou rejeição, aplique então a quantidade recomendada em sua pata na região dos coxins e atrás da nuca deslizando suavemente com as mãos para o restante do corpo. A frequência das aplicações deve ser determinada pelo veterinário e terapeuta.

Os óleos podem ser usados para:

  • Adestramentos: a combinação de alguns óleos promove concentração e estimulam a memorização mais rápida (Deborah L. Wells, 2006).
  • Coceiras e lambedura de patas: muitas dermatites têm como origens ações emocionais que podem ser amenizadas com a estimulação dos óleos (MACHADO, F. 20212)
  • Coprofagia: assim como as dermatites a coprofagia (ingestão de fezes) pode ter como origem ações emocionais como principal causa. (MACHADO, F. 20212).
  • Animais muito agitados, ansiosos, depressivos ou estressados  (Deborah L. Wells, 2006).

Contra indicações e precauções:

  • Jamais use óleos essenciais de forma oral nos animais, alguns terapeutas holísticos humanos utilizam de tal forma para realizar seus tratamentos, porém o organismo animal é diferente do humano e isso pode gerar danos ao seu animalzinho.
  • Efeitos colaterais não são comuns, pois é aconselhável sempre apresentar ao olfato do animal o óleo antes do uso, porém, animais com epilepsia e doenças similares devem evitar o uso.
  • Em felinos deve-se ter mais cuidados na hora da utilização por serem animais extremamente sensíveis e não realizarem a glucuronidação que é um mecanismo de desintoxicação comum em outros mamíferos.
  • Alguns profissionais são contra a utilização de aromaterapia em felinos, mas segundo estudos a utilização de forma moderada e correta do aroma pode ser sim realizada.
  • Evite deixar os frascos ao alcance de crianças e animais, ao utilizados de forma exacerbada alguns óleos podem promover toxidade.

Considerações finais:

A aromaterapia oferece uma alternativa de tratamento para os animais e seus tutores que buscam uma terapia mais suave através da visão holística. Conclui se então, que a utilização de óleos essenciais na medicina veterinária, para melhorar a qualidade de vida dos animais e proporcionar bem estar, auxiliando no tratamento de afecções, condiz com a literatura embasada, promovendo assim satisfação ao atingir os objetivos empregados pela aplicação de óleos essenciais.

Referências

ALBRECHT, A.T. Óleos Carreadores, o que são? São Paulo, 2015.

ANVISA. Consolidado de normas de registro e notificação de fitoterápicos. Brasília, 2018.

Aziza M. A. e Mohamed. M. A.; Efficacy and Safety of Natural Essential Oils Mixture on Tick Infestation in Dogs, Advances in Animal and Veterinary Sciences, 2020.

CLAUDIA, G. Massagem e aromaterapia auxiliam na reabilitação de animais lesionados. Revista Cães e Gatos Vet Food, 2018.

MACHADO, F. AROMATERAPIA PARA CÃES. Revisão literária, 2012.

OLIVEIRA, R.K.B.; SARMENTO, A.M.M.F. O USO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE GERÂNIO E JUNÍPERO NO REJUVENESCIMENTO FACIAL. São Paulo, 2019.

PISA, J. P. N. FITOQUÍMICA DE PLANTAS MEDICINAIS PARA A SAÚDE MENTAL DE EQUINOS – REVISÃO DE LITERATURA.

RIBEIRO, M. L. Influência do enriquecimento ambiental no bem-estar do Gibão-de-mãos-brancas (Hylobates lar) em cativeiro: exemplo do Zoo da Maia. Porto, 2016

SILVA. M.C. ÓLEOS ESSENCIAS: CARACTERIZAÇÃO, APLICAÇÕES E MÉTODOS DE EXTRAÇÃO. Minas Gerais, 2018.

TISSERAND, R. Cats and Essential Oil Safety, Califórnia, 2011.

TRANCOSO, M.D; BAPTISTA, B.A.V.; GOMES, G.A.; GONZALEZ, M.M.; RIBEIRO, T.B. ÓLEOS ESSENCIAIS: EXTRAÇÃO, IMPORTÂNCIA E APLICAÇÕES NO COTIDIANO. Rio de Janeiro, 2013.

WELLS, D.L. Aromatherapy for travel-induced excitement in dogs. Scientific Reports: Original Study, 2006.