Curitiba, 12 de outubro de 2020.

Texto por M.V. Esp. Selene Leite. 

Hoje vamos falar sobre uma técnica que vem sendo empregada com grande frequência na rotina de tratamento dos nossos amados pets e que gera resultados impressionantes: a acupuntura. Vocês já ouviram falar?

Apesar de já ser empregada na Medicina Veterinária no Brasil há um bom tempo, muitas pessoas não imaginam que ela possa ser aplicada em animais… e as perguntas são inúmeras! Neste breve artigo, vamos tentar esclarecer as dúvidas mais frequentes. Mas antes, vamos falar do método em si.

A acupuntura faz parte de um conjunto de técnicas da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que trabalha pontos específicos do corpo através de diferentes estímulos, visando o equilíbrio geral do organismo. Possui grande aceitação por ser uma boa alternativa de tratamento, com inúmeras vantagens: preserva a saúde do paciente ao permitir que doses, quantidades e frequência de medicamentos possam ser reduzidas, diminuindo assim o estresse pela administração das mesmas; pode ser utilizada isolada ou em conjunto com outras técnicas; tem atuação global, tratando e harmonizando pontos locais ou a distância; gera relaxamento; alivia dores e desconforto; melhora questões emocionais…

Os pontos podem ser trabalhados de diferentes maneiras, sendo mais conhecida a realizada por meio de agulhas específicas para acupuntura. Porém, podemos enumerar abaixo outras técnicas de estimulação (Faria & Scognamillo-Szabó, 2008; Lopes, 2010; Silva, 2018; Viana et al., 2019).

– Acupressão: realizada com os dedos, por meio de pressão/massagem diretamente nos pontos;

– Cromopuntura, laserpuntura e eletroacupuntura: através de aparelhos específicos;

– Farmacopuntura: aplicação de substâncias (soro fisiológico, vitaminas, medicações homeopáticas) por via injetável nos pontos escolhidos;

– Hemopuntura: da mesma forma que a Farmacopuntura, porém utilizando sangue do próprio paciente;

– Implantes (fios de sutura/esferas de ouro): material escolhido de acordo com a finalidade e o tempo necessário da estimulação do ponto, é aplicado nos pontos selecionados. Pode necessitar de sedação/anestesia.

Às técnicas de acupuntura, podemos incluir a associação da moxaterapia, feita por meio de bastões aquecidos de uma erva conhecida por Artemisia vulgaris.

A diversidade de métodos pontuada acima auxilia uma melhor abordagem dos pacientes, aumentando a tolerância e resultados obtidos, uma vez que os animais são tratados com individualidade e têm seus limites preservados, especialmente quanto à sensibilidade/aceitação da manipulação.

A acupuntura pode ser utilizada em praticamente todas as doenças, como principal tratamento ou complementar a outros. Os casos mais indicados estão relacionados a controle de dor e retorno de movimento; doenças neurológicas, renais, endócrinas, respiratórias e dermatológicas; bem como para auxílio em questões emocionais, ao proporcionar redução de estresse e ansiedade, melhorando assim, a qualidade de vida dos pets e de seus responsáveis.

Referências:

Faria, A. B. & Scognamillo-Szabó, M. V. R. Acupuntura Veterinária: Conceitos e Técnicas – Revisão. ARS VETERINARIA, Jaboticabal-SP ,v.24, n.2, 083-091, 2008.

Vianna, I. I. R., Duarte, P. O., Athanasio, R., Melo, D. D. M. N. de, Teixeira, L. O., Silva, L. C., & Solis-Murgas, L. D. Acupressão e musicoterapia em equino com distúrbios comportamentais. Caderno De Ciências Agrárias11, 1-8. Disponível em: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2019.15959. 2019.

LOPES, D.F. Terapias complementares usadas na Medicina Veterinária. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 16, Ed. 121, Art. 818, 2010.

SILVA, R. C. Enquadramento da Farmacopuntura em Medicina Veterinária – Revisão bibliográfica. EUVG – Dissertações do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária. 2018. Disponível em: http://hdl.handle.net/10400.26/23977